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Raiva dos quirópteros
sintomas da raiva em quirópteros | um morcego pode atuar como "portador são" da raiva?
transmissão da raiva por morcegos | pesquisas


      Há no Brasil cerca de 140 espécies de morcegos; desse total, o vírus da raiva já foi isolado de 31 espécies. Este número é considerado pequeno, quando comparado ao encontrado nos Estados Unidos: de 39 espécies identificadas, o vírus da raiva foi isolado de 30.
     Todas as espécies de morcego podem transmitir a raiva, independente de seu hábito alimentar.
      Somente no início deste século, em 1911, Antonio Carini, então diretor do Instituto Pasteur de São Paulo, levantou a hipótese de os morcegos hematófagos serem os transmissores da raiva dos herbívoros.
      Anos depois, a raiva foi confirmada em morcegos com outros hábitos alimentares, como os frugívoros e insetívoros, mas só se deu maior importância a este fato quando na Flórida, em 1953, um menino foi atacado por um morcego insetívoro. Após esta data, inúmeros casos humanos foram confirmados nos Estados Unidos, fato que se repete até os dia de hoje.

 

Sintomas da raiva em quirópteros

      O período de incubação da raiva em morcegos é extremamente variável, desde semanas a períodos prolongados, acima de um ano. Segundo Constantine, pelo fato de estes animais apresentarem taxa metabólica reduzida e possuírem características de hipotermia, o período de incubação pode ser prolongado. Há, na verdade, uma ausência de dados, devido às dificuldades de realização de pesquisas e dificuldades de observação de animais doentes e sadios.
      Os principais sintomas em morcegos hematófagos são: atividade alimentar diurna, hiperexcitabilidade e agressividade, falta de coordenação dos movimentos, tremores musculares, paralisia e morte. O período experimental médio é 17 dias.
     Nos morcegos não hematófagos ocorre geralmente a paralisia sem agressividade e excitabilidade, e os espécimes são encontrados em locais não habituais. O período de incubação nestas espécies varia, na infecção experimental, de 2 a 25 semanas. Uma vez surgidos os sintomas, a morte ocorre em poucos dias.

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Um morcego pode atuar como "portador são" da raiva ?

      Durante vários anos, acreditou-se que os morcegos se infectavam com o vírus da raiva e podiam transmití-lo, sem nunca contraírem a doença. Entretanto, estudos realizados na década de 80, relacionados à infecção experimental de morcegos, evidenciaram que estes animais reagem ao vírus da raiva como os outros mamíferos, com período de incubação variável, com excreção de vírus pela saliva, não apresentam o estado de "portador são" e não se recuperam após mostrarem sintomatologia de raiva ou eliminarem vírus pela saliva.

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Transmissão da raiva por morcegos

      Segundo dados da Fundação Nacional de Saúde, o morcego é a segunda espécie transmissora de raiva para humanos em nosso País:cerca de 12% dos casos humanos são transmitidos por morcegos. Foram identificados alguns fatores que se repetem nos focos de raiva humana transmitida por morcegos hematófagos, tais como: sua ocorrência em pequenos povoados; mudanças no processo produtivo; presença de pequeno número ou ausência de herbívoros; habitações vulneráveis e difícil acesso aos serviços de saúde.
      A predação de morcegos, principalmente por felinos, é outro risco de transmissão da raiva humana e um importante elo entre o ciclo rural e o ciclo urbano da doença, ao qual se deve dar a máxima atenção.
      É necessário ressaltar também, a enorme importância dos morcegos hematófagos na transsmissão da raiva dos herbívoros, que vem aumentando acentuadamente no Brasil e cujo controle só é possível com o controle sistemático da população de morcegos e a vacinação maciça.
      A raiva urbana, em cães e gatos, vem sendo atualmente relacionada à cepa comumente isolada em morcegos hematófagos, interrelacionando, mais uma vez, o ciclo rural e o ciclo urbano.

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Pesquisas

      As pesquisas com quirópteros precisam ser intensificadas, pois somente desta forma adicionar-se-á conhecimento que poderá ser empregado no controle da raiva dos herbívoros e no controle da raiva humana, doença esta no qual o papel dos quirópteros vem aumentando sensivelmente em nosso País e em todo mundo.
      Destaca-se, também, a necessidade de maiores estudos no nosso meio, a partir de amostras do vírus da raiva isoladas de quirópteros (diferentes espécies), visto que a literatura internacional menciona, exaustivamente, a ocorrência de distintos sorotipos do gênero Lyssavirus nas diferentes espécies de quirópteros distribuidos pelos vários continentes. Além disso, a questão da existência de variantes antigênicas do vírus da raiva no Brasil é de fundamental importância, especialmente no que se refere à eficácia das vacinas convencionais frente às cepas de campo originárias de quirópteros.
      Há ainda que se salientar o papel dos quirópteros na transmissão de outras zoonoses, tais como: histoplasmose, arboviroses, tripanosomose, leptospirose, salmonelose, criptococose e riquetsiose.

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